Após 38 anos, voltou a nevar em Curitiba. Pouco antes das 10 horas desta terça-feira (23), o Instituto Tecnológico Simepar confirmou que houve queda de chuva congelada com a incidência de flocos de neve misturados às pequenas gotas de gelo. O fenômeno foi constatado por registros fotográficos e vídeos, em diferentes horários entre as 8h e 9 horas, em pontos isolados da região sul e oeste da cidade. Houve incidência de flocos até a região do Batel, na área central da capital. Também ocorreu a confirmação de neve em Araucária e Campo Largo, na região metropolitana, e registro por parte de equipe da Gazeta em Fazenda Rio Grande.
Mesmo em pequena quantidade e por pouco tempo, a ocorrência de neve deixou em polvorosa moradores de bairros como Umbará, Xaxim, Campo Comprido, Portão e Água Verde. Durante a manhã, o fenômeno era o tema principal nas conversas. Em um posto de combustíveis no Umbará, os funcionários trocavam vídeos e fotos da neve que teria caído no início da manhã, por volta das 8h.
“Foi uma sensação única mesmo. Na hora, liguei pra minha esposa acordar meus filhos, que ainda estavam dormindo. Eles foram na janela de casa e conseguiram enxergar os flocos caindo”, descreveu o gerente de pista Josué Cius.
A moradora do Xaxim Isabel Rivas relatou que chegou a dormir com o celular ligado do lado da cama para receber notícias sobre a possível ocorrência de neve na cidade – a nora trabalha no Simepar e ficou de repassar notícias para a família. A expectativa foi atendida de manhã cedo, às 8h, quando, segundo Isabel, nevou “forte” no bairro.
“Foram apenas 10 minutos, mas já foi lindo de ver. Todo mundo se levantou e foi pra rua pra olhar’, diz.
Paraná
As temperaturas baixas que atingem o Paraná entre a noite desta segunda (22) e terça-feira (23) fizeram cair neve e/ou chuva congelada em pelo menos 32 municípios paranaenses.
Apesar de já haver algumas cidades onde a queda de neve foi confirmada, como Curitiba, Guarapuava, Araucária, Campo Largo e Pinhão, por exemplo, até as 17h30 desta segunda-feira o Instituto Tecnológico Simepar ainda não tinha a relação oficial de quais cidades registraram neve e quais tiveram presença de chuva congelada.
No mesmo período, o levantamento feito pelo instituto relacionava as seguintes cidades que tiveram registro de chuva congelada e/ou neve confirmadas: Cascavel, Pato Branco, Pinhão, União da Vitória, Porto Vitória, Guarapuava, Lapa, São Mateus do Sul, Toledo, Palmas, Paula Freitas, Irati, Toledo, Antônio Olinto, Campo Largo, Campo Magro, Araucária, Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Cantagalo, Apucarana, Cambira, Maringá, Jaguariaíva, General Carneiro, Mallet, Piraí do Sul, Goioxim, Ponta Grossa e Carambeí.
Em Curitiba, algumas pessoas relataram o registro de chuva congelada, uma espécie de fase anterior à ocorrência de neve. De acordo com o meteorologista do Simepar, Lizandro Jacobsen, quanto mais ao sul da capital, maior a chance de ocorrer o congelamento da chuva. “Ficou um pouco mais difícil de nevar em Curitiba porque o resfriamento diminuiu um pouco [às 7h45], mas a chuva congelada tem uma grande chance de ocorrer.”
Em vários municípios paranaenses houve registro da chuva congelada, conhecida como “sleet”. A técnica em meteorologia do Instituto Somar Patrícia Vieira explica que a diferença começa já em sua formação. “A chuva congelada acontece quando as gotas de chuva congelam conforme estão caindo. Com a neve, o floco se forma já nas nuvens”, diz. “Quando a neve cai no chão, ela continua por ali. Com a chuva congelada, as gotas derretem assim que tocam alguma superfície”, completa.
Em todo o estado houve registro de temperaturas muito baixas nesta manhã, principalmente em Palmas, com -2Cº. Na capital, a mínima até às 7h45 foi de 2ºC, mas a sensação térmica chegou a -3º, conforme o instituto. Ao longo do dia, a temperatura deve subir pouco, chegando no máximo a 7º.
Rodovias
Na BR-277, em Guarapuava, a neve causou transtorno aos motoristas nesta manhã. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), faz uma operação especial entre o pedágio Relógio e a praça de Candói, onde o fluxo chegou a ser totalmente interrompido. Uma densa camada de neve está sobre a pista e uma espécie de trilha no meio do asfalto permite a passagem. Todo o trecho está bastante escorregadio, mas não foram registrados acidentes até às 8 horas.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou, nesta segunda-feira (22), que dois pontos da BR-116 foram interditados por volta das 21h20, nos quilômetros 100 (sentido Sul) e 152 (sentido norte). Já na BR-282, foi fechado um ponto no quilômetro 45, próximo ao município de Rancho Queimado, a 65 quilômetros de Florianópolis.
Estragos
Em Guarapuava, o telhado de uma das lojas da rede Havan desabou devido ao acúmulo de neve no telhado. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, ninguém ficou ferido no incidente. Segundo os bombeiros, há o risco de queda de um muro da loja.
Os telhados do ginásio de esportes Trianon e de uma quadra de futebol da cidade do Centro-Sul do Paraná também desabaram com o peso da neve acumulada na madrugada de hoje. Os bombeiros receberam também chamados de moradores sobre queda de telhado de garagens.
Ajuda
Não há um instrumento que consiga precisar se houve ou não neve, e, para que o fenômeno possa ser comprovado, o Simepar precisa da ajuda dos cidadãos. “Pedimos que as pessoas nos enviem fotos e vídeos daquilo que eles acreditam ser neve para que possamos verificar e registrar a ocorrência”, informa Jacóbsen.
Com neve ou sem neve, as temperaturas vão continuar baixas no Paraná. Em Curitiba, a máxima não deve passar dos oito graus. Em Palmas, a mínima pode chegar até os três graus negativos. A partir de quarta-feira, a tendência é que a umidade diminua bastante, o que deve fazer com que o estado registre fortes geadas.
Frio, geada, chuva congelada ou neve. Fez registro de algum destes fenômenos no Paraná? Então participe da nossa galeria. Você pode enviar sua foto para o e-mail
pautagpol@gazetadopovo.com.br ou postar nas redes sociais com a hashtag #japragazeta. Antes de compartilhar, leia os termos de
participação e cessão das imagens.