sexta-feira, julho 12, 2013

Casal paranaense se prepara para cantar ao Papa Francisco

O casal Marcos da Matta e Cristiane da Matta, de Apucarana, no norte do Paraná, vão cantar para o Papa Francisco, que estará no Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude, de 22 a 28 de julho. A música "O Enfermo é Meu Irmão" foi escolhida para a visita do pontífice ao Hospital São Francisco da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), na tarde do dia 24. A canção, criada pelo próprio casal, conta a história da cura de um leproso após ser abraçado por São Francisco de Assis.
A indicação da música é do frei responsável do hospital, que é atendido por frades franciscanos. “Nós tínhamos gravado essa música em um CD chamado ‘Perfeita Alegria’, junto com o Frei Florival, do Espírito Santo. O frei do hospital, que se chama Francisco, ouviu o álbum e decidiu que a música deveria ser cantada ao Papa”, conta Marcos, que é técnico judiciário. O CD tem a vida de São Francisco como tema, sendo sete das 16 músicas compostas pelo casal.
A música foi criada após um pedido de Frei Florival, que organizou o CD e contou com a participação de vários compositores do país. “Ele nos conheceu através de minha cunhada, e passou vários temas sobre o carisma franciscano, entre eles o encontro de São Francisco com o leproso. Ali buscamos mostrar todo o carinho de Francisco, que com o abraço curou aquele homem”, explica Marcos, que já teve composições gravadas em outros CDs, todos ligados à Igreja Católica.
Cristiane, que é musicista e dá aula de música, diz que não acreditou quando recebeu a notícia. “No primeiro momento, não achei que era verdade. Porém, o frei que fez parte do projeto do CD confirmou que sim, fomos convidados para cantar ao Papa”, lembra. “Receber o convite para um momento assim é para nós um momento de convicção, uma resposta mostrando que estamos no caminho certo”, afirma o compositor.
Para ela, o tema da canção acabou sendo escolhida por ir de encontro ao local onde Francisco estará. “Cantaremos em um local franciscano, para o Papa Francisco, sobre a acolhida de São Francisco de Assis para um enfermo”, disse.
O casal sabe que o momento deve ser de grande emoção. “Eu que sou muito emotiva, vou precisar me conter muito para não chorar na hora”, disse Cristiane. “A nossa vontade é que o momento chegue logo. Para um católico, é algo muito forte”, completa Marcos.
Casal participa na Catedral de Apucarana, onde cantam nas missas (Foto: Rodrigo Saviani/G1)Casal participa na Catedral de Apucarana, onde cantam nas missas (Foto: Rodrigo Saviani/G1)
Devoção e fé
Devotos de São Francisco de Assis, eles consideram o convite um grande presente. “Já foi uma graça poder compor músicas para um CD franciscano. Agora, poder cantar para o Papa, é uma graça ainda maior”, celebra Cristiane.
Ela conta que já teve uma graça alcançada em oração ao santo. “Eu tive uma gravidez muito complicada da minha filha. Passei praticamente nove meses dentro do hospital, e o próprio médico chegou a dizer que a gravidez era de grande risco, podendo sobreviver ou eu, ou o bebê. E no fim, tudo saiu bem, tanto para mim, como para minha filha. Creio que foi a força da oração e a intercessão de São Francisco e de Santa Paulina”, relata.
Marcos e Cristiane são casados há 15 anos e tem dois filhos. Eles se conheceram na igreja, justamente através do cantar. “Nós cantávamos nos corais da igreja aqui em Apucarana. Depois passamos a cantar juntos em casamentos. Fomos nos aproximando cada vez mais e estamos juntos até hoje”, diz Marcos. Atualmente, eles coordenam as equipes de música na Catedral Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana.

quinta-feira, julho 11, 2013

Ação do MPRJ ameaça realização da JMJ Rio2013

Paz, solidariedade, justiça, fé e amor são algumas das bandeiras de peregrinos e participantes das Jornadas Mundiais da Juventude na construção de um mundo novo, valores universais presentes na realização da sua 28ª edição, no Rio de Janeiro. Porém, tudo isso está em risco por causa de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), ajuizado nesta terça-feira, 9 de julho.
Mesmo sem a venda de ingressos, sem fins lucrativos e com a programação aberta a todos, o Ministério Público disse entender a JMJ como um “evento de natureza privada”. O órgão não considerou o papel de parceria desempenhado pelo Poder Público, de todas as esferas, desde a candidatura para sediar o evento. E, por isso, a ação civil pública pretende suspender imediatamente o edital de licitação publicado pelo município do Rio para contratação de serviços de saúde para a Jornada. A pena, caso a ação seja acolhida pela Justiça, é a possibilidade do cancelamento total ou parcial dos eventos que integram a programação da JMJ Rio2013.
O Comitê Organizador Local da JMJ Rio2013 lançou uma nota oficial em que reafirma o caráter público do evento, apesar da natureza religiosa, e demonstra a preocupação pelo bem estar dos milhares de peregrinos e participantes. “Os organizadores da JMJ 2013 informam que oferecerão oportunamente resposta à inicial proposta, certos de que o Poder Judiciário decidirá a questão atendendo a todos os anseios da sociedade, e que, apesar de tais obstáculos, a JMJ Rio2013 será um sucesso”.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, defendeu o apoio do Governo Municipal à Jornada, em pronunciamento durante a passagem dos símbolos da JMJ ao Palácio da Cidade, nesta quarta-feira. “A prefeitura vai disponibilizar todos os serviços públicos necessários para atender bem a essa multidão que aqui está. Seja com serviços de segurança, com a Guarda Municipal; serviços de limpeza, com a Comlurb; e serviços também de saúde para a multidão que estará na Jornada Mundial da Juventude”. A prefeitura deve executar o serviço de atendimento médico pré-hospitalar fixo e móvel nos eventos a serem realizados em Copacabana e Guaratiba.

Apoio dos governos
A candidatura da cidade do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude foi feita com o apoio das várias instâncias dos Governos Municipal, Estadual e Federal. 
Na carta de compromisso do Governo Estadual ao Vaticano, de novembro de 2010, o governador Sérgio Cabral afirmava: “Estamos realizando ações que visam assegurar condições ideais para a realização da Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Somos um povo cristão, acolhedor e caloroso e não mediremos esforços, com as graças de Deus, para alcançarmos o sucesso nos eventos acima referidos (JMJ, Copa do Mundo e Olimpíadas), que teremos no Rio de Janeiro”.
Em apoio à JMJ Rio2013, o Governo do Rio de Janeiro criou, em outubro de 2011, uma Comissão Especial para JMJ Rio2013. A Comissão Governamental Especial tem o objetivo de organizar e coordenar os trabalhos para a JMJ. O decreto foi assinado pelo governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, durante solenidade no Palácio Guanabara. Estiveram presentes também o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, além do arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta e demais coordenadores.
A presidente Dilma Rousseff também criou uma Comissão Especial para JMJ Rio2013 em março do ano passado. A comissão, cujo decreto foi assinado e publicado no Diário Oficial da União, tem o objetivo de "adotar todas as medidas necessárias para o êxito da visita de Sua Santidade o Papa" ao Brasil. A comissão teria ainda a finalidade de articular os trabalhos da União com os órgãos federais, estaduais e municipais, a Nunciatura Apostólica, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Arquidiocese do Rio de Janeiro.

JMJ Rio 2013 deixará legados
Entre os diversos legados que a Jornada Mundial da Juventude deixará para a população do Rio de Janeiro e do Brasil, destacam-se os aspectos ambiental, social, econômico e, principalmente, o espiritual. Em cada um, há ações e projetos que, inicialmente elaborados em ocasião do evento, continuarão em funcionamento após o dia 28 de julho. Os investimentos de segurança pública também são parte deste legado.
A preocupação com a sustentabilidade do evento é palpável no trabalho de gestão de resíduos. O COL assumiu o compromisso de despejo zero de resíduos em aterros sanitários, no Campus Fidei, em Guaratiba. Em relação ao legado ambiental está sendo realizada também uma parceria com a Rede WWF. Além disso, junto aos sacerdotes jesuítas do Secretariado de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus (SJSE), será elaborado um site ecológico.
Há ainda um plano de acessibilidade para pessoas com deficiência. Está sendo montada uma estratégia para garantir que as pessoas com deficiência possam participar bem dos eventos em Copacabana e em Guaratiba. No Campus Fidei, haverá uma área adaptada para os principais tipos de deficiência: visual, auditiva, intelectual e motora (cadeirantes). A estrutura foi apreciada pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos durante reunião.  Além disso, os peregrinos cadeirantes poderão solicitar hospedagem especial e transporte para Guaratiba.
A JMJ também trará oportunidades de diálogo entre diversas iniciativas públicas e privadas sobre as expectativas e anseios da juventude, a partir de princípios e valores cristãos. Por exemplo, em parceria com as Organizações das Nações Unidas (ONU), a JMJ vai promover uma manhã de debates sobre o papel da juventude no desenvolvimento sustentável e da paz. Também haverá umencontro ecumênico que reunirá jovens líderes das três principais religiões monoteístas do mundo.

Impacto econômico
A JMJ Rio2013 trará benefícios econômicos para o estado. A estimativa do Comitê Organizador Local (COL) é de que sejam criados 20 mil empregos diretos e sejam movimentados mais de R$ 500 milhões no estado do Rio de Janeiro.
Levando em consideração apenas o comércio carioca, a projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de que a Jornada injete R$273,9 milhões no setor.
O impacto positivo também acontecerá em larga escala no turismo. Jovens gastam mais e retornam ao destino turístico, de acordo com estudo da Organização Mundial de Turismo (OMT).

quarta-feira, julho 10, 2013

Peregrinos contam os dias para a JMJ

Daniel Castellano/Gazeta do Povo / Isabella Pimenta (em primeiro plano) com os amigos Jonathan, Cassius e Karime. Jovem foi escolhida para acompanhar o papa
Faltando duas semanas para o início da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), peregrinos em todo o Brasil iniciam os preparativos finais para o encontro religioso que terá como ponto alto a presença do papa Francisco, em sua primeira visita oficial ao Brasil como pontífice. Dos 2,5 milhões de participantes, segundo estimativas do comitê organizador, ao menos 10 mil partirão de Curitiba rumo ao Rio de Janeiro, cidade-sede do evento que ocorre entre os dias 22 e 29 de julho.
O grupo mais numeroso é o da Arquidiocese, que já tem 250 inscritos, que devem reunir um comboio de cinco ônibus. Mas a expectativa da Cúria é de que cada paróquia, colégio ou instituição ligada à Igreja Católica envie ao menos um ônibus à Jornada. “Estamos na expectativa em relação à mensagem que o papa vai transmitir aos jovens”, ressalta Marcos Moura, secretário do setor Juventude da Cúria Metropolitana de Curitiba. “Acho que ele vai surpreender a todos, dando um ar jovial para a Igreja e mostrando que, por mais que tenhamos nossa tradição e conservadorismo, somos também uma Igreja jovem, e onde os jovens estão fazendo a diferença em seu meio social.”
A escolhida
Universitária será a representante de Curitiba perante o papa
A estudante universitária Isa­bel­la Pimenta, de 23 anos, é uma das líderes que está organizando a excursão para a Jornada Mun­dial da Juventude, no Rio de Janeiro. Voluntária em trabalhos na Paróquia de Nossa Senhora da Visitação, no Boqueirão, e na Cúria Metropolitana de Curi­ti­ba, ela foi escolhida pela Ar­quidiocese para ser a representante da cidade na vigília com o papa Francisco, ficando no palco junto ao pontífice. “Até agora não consigo acreditar”, diz.
A jovem aguarda o começo da peregrinação com ansiedade, junto com os colegas. “Estamos contando os dias, afinal é uma oportunidade única”, revela.
Perdão
Os fiéis que participarem da JMJ receberão do papa Francisco indulgência dos pecados, desde que confessem, comunguem e rezem em intenção dele. O decreto foi assinado no dia 2, no Vaticano. As indulgências são concedidas a grupos de fiéis em ocasiões especiais.
Grupos católicos da capital paranaense se preparam para a Jornada há um ano e meio. Desde a confirmação do evento, organizam festas, rifas e confraternizações para levantar recursos para hospedagem e alimentação. “Fazemos também encontros espirituais de preparação para que o peregrino reflita sobre o significado de uma Jornada da Juventude e ir para lá abraçar o que a fé católica tem para oferecer”, afirma Moura.
Além dos moradores locais, partirão na excursão perto de 5 mil peregrinos de outros países que, nas semanas anteriores à jornada, se dedicarão a atividades diversas nas paróquias. São, em sua maioria, poloneses e sul-americanos que se inscreveram pelos canais internos da igreja e ficarão hospedados em casas de fiéis ou em acomodações da própria igreja.
Essa etapa pré-jornada terá seu ápice no próximo dia 20, o sábado anterior ao início do evento, quando ocorrerá a celebração de envio ao Rio de Janeiro, a partir das 14 horas, no câmpus da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A atração principal é o violonista nicaraguense Tony Meléndez, conhecido por não ter os braços e tocar com os pés, e que em 1987 se apresentou para o papa João Paulo II. “É um momento de comunhão, no qual os diferentes grupos paroquiais poderão se conhecer. Esperamos em torno de 15 mil pessoas. Mesmo quem não vai para a Jornada poderá participar, como uma forma de se unir em espírito aos demais”, explica Moura.

Reflexão do dia!!!

terça-feira, julho 09, 2013

Estudante curitibana do ProJovem vence concurso de fotografia

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A estudante, Luciléia Rodrigues Nascimento, aluna do Programa ProJovem da Escola Municipal Augusta Ribas, no Bairro Novo, venceu o concurso nacional na modalidade fotografia, promovido pela Secretaria Nacional de Juventude. Luciléia disputou com centenas de trabalhos produzidos por estudantes de 15 a 29 anos, de todas as regiões do país, a partir “O que desejo em 20 de novembro de 2020?” à respeito da condição da juventude negra no Brasil.

Como prêmio Luciléia terá sua foto publicada em uma produção que reunirá os 30 melhores trabalhos. Além de fotografia o concurso avaliou produção de prosas e poemas dos estudantes. O concurso é parte das ações do Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra, denominado Juventude Viva. 

Para participar do concurso, a estudante curitibana contou com a colaboração da professora que emprestou o equipamento fotográfico para Luciléia produzir sua foto. Uma fileira de lápis coloridos, em fundo escuro acompanhado da frase “Meu Lápis cor de pele é .....” ganhou destaque no concurso como bom exemplo de representatividade da diversidade humana. “O concurso me deu a oportunidade de adquirir novos conhecimentos sobre a arte da fotografia e o contexto da diversidade retratada pela linguagem não-verbal”, disse Luciléia.

O concurso foi promovido para incentivar entre os jovens a reflexão sobre prevenção à violência estimulando a exposição de ideias e o debate com a sociedade sobre a condição da juventude negra e os desafios que vivenciam para o exercício pleno da cidadania. 

A avaliação e seleção dos premiados foi feita por uma comissão composta por representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Fundação Cultural Palmares e pela fotógrafa Denise Camargo.
http://www.cidadedoconhecimento.org.br/cidadedoconhecimento/index.php?subcan=7&cod_not=40572

segunda-feira, julho 08, 2013

O lado econômico de ser universitário

Marcelo Andrade / Gazeta do Povo / Para Ricardo Branco, sem a carteirinha de estudante, sua vida social seria reduzida.
Estudante ganha mal e gasta muito. Há exceções, é claro, mas a sentença é verdadeira para a maioria dos jovens brasileiros que estão na faculdade. Para equilibrar a diferença entre despesas e rendimento, leis e acordos garantem vantagens a quem está matriculado em um curso universitário. Separamos aqui algumas das áreas e serviços em que há boas oportunidades de descontos. Confira onde e como aproveitar os benefícios e economizar:
Bancos
Grandes redes bancárias são ávidas por atrair universitários, já que há boas chances de o estudante se manter como correntista quando se formar. Por isso, tarifas de serviço são reduzidas e crédito é concedido sem grandes exigências. O Banco do Brasil, por exemplo, não pede comprovação de renda para abrir uma conta universitária, concede seis meses de isenção de taxas, envia saldo e extrato gratuitamente para celular e oferece um cartão de crédito com limite de R$ 800. O Itaú oferece serviços parecidos, com R$ 1 mil de crédito. Após o primeiro semestre de isenção, os bancos cobram taxas abaixo de R$ 4, valor menor que a tarifa normal. Instituições privadas também oferecem opções semelhantes ao Financiamento Estudantil (Fies), da Caixa Econômica. O Crédito Pessoal Graduação é um tipo de financiamento do HSCB voltado a formandos de universidades conveniadas e cobre 100% das mensalidades dos dois últimos semestres.
Cultura
Nenhum outro setor da economia concede tanto desconto aos universitários quanto a cultura. A Lei Estadual 11.182/1995, que especifica o direito de meia-entrada aos estudantes em estabelecimentos como cinemas, teatros e museus, permite uma enorme economia ao universitário. Em um sábado à noite, para assistir a um filme sem projeção 3D no UCI Estação, por exemplo, em vez de pagar R$ 19, um estudante gasta R$ 9,50. Se o preço ainda parecer salgado, o aluno pode pagar apenas R$ 4 para ver o mesmo filme, no mesmo cinema, em uma segunda-feira. Quem opta por cinemas localizados em shoppings menores e dias específicos paga ainda menos. Com a carteirinha de estudante, na última quinta-feira do mês, o universitário consegue comprar um ingresso por R$ 3,50 no Cine Água Verde e no Cineplus Xaxim.
Livrarias
As duas maiores editoras universitárias de Curitiba, a Editora UFPR e a Editora Champagnat, fornecem descontos às suas comunidades acadêmicas. Um aluno da PUCPR pode comprar qualquer exemplar na Livraria Champagnat (no bloco da Escola de Educação e Humanidades) com 10% de desconto. Há ainda promoções mensais de livros de outras editoras em que o desconto chega a 25%. Já obras com a marca da Editora UFPR podem ser obtidas por estudantes da instituição por um preço 20% menor. Livros de outras editoras universitárias também saem mais barato, com desconto de 10%. Compras on-line não estão na promoção, portanto, para economizar, é preciso ir até as livrarias da editora, que ficam no bloco Dom Pedro II, na Reitoria, e no Centro de Convivência do Centro Politécnico.
“A pipoca fica mais cara que o filme”
Para o aluno de Jornalismo das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil) Ricardo Branco, a carteirinha de estudante é fundamental e, sem ela, sua vida social provavelmente seria bastante reduzida. Ele vai ao cinema com a namorada duas vezes por mês e não tem dúvidas de que a atual rotina só é possível graças ao desconto. “Pagando meia-entrada, a pipoca fica mais cara que o filme”, diz. Morador do Xaxim, Branco varia entre a opção mais em conta do cinema próximo de sua casa e as salas dos grandes shoppings, com preço mais elevado. Fã de pagode, ele diz que também aproveita a oportunidade de economizar em shows. “No ano passado, fui ao show do Sorriso Maroto, que estava muito caro. Se não fosse pelo desconto, não tinha como ir. Nem pensar!”

domingo, julho 07, 2013

30 anos de uma catástrofe

Apitos de fábricas e trens soaram na madrugada chuvosa de 8 de julho de 1983 em União da Vitória. O barulho agudo alertava a população sobre a tragédia iminente. Os que se levantaram viram o leito do Rio Iguaçu, que banha a cidade, subir 1,5 metro a mais que o dia anterior. A marca de 6,97 metros, bem acima do normal, obrigou quem podia a tirar a família, móveis e roupas de dentro da casa. Quem não entendeu o motivo da barulheira da madrugada acordou sem tempo para muita coisa. A catástrofe já era irreversível.
A merendeira Sebastiana Duruek, hoje com 83 anos, que o diga. “Quando despertei vi que a situação não estava fácil. Tinha ido trabalhar no dia anterior, mas nesse dia não dava. Na frente de casa estava tudo alagado”, recorda.
O livro de Irene
Aos 82 anos, Irene Winter guarda na primeira página da Bíblia dada de presente pela mãe uma das emoções mais fortes pelas quais passou. A foto colada na página amarelada mostra o filho Walter, ela e o falecido marido em cima do telhado de casa tentando salvar o que podiam da enchente. Depois que o rio baixou, a Bíblia, impressa em 1925 na Alemanha, foi um dos poucos livros que sobraram. Ao lado dela, parte de uma obra que pertencia ao pai – Os pássaros do Brasil, de Eurico Santos – pôde ser resgatada.
As preces para evitar uma nova tragédia vêm das sagradas escrituras. “Única coisa que peço a Deus é para não repetir uma enchente dessas”, conta Irene. Já cansaram de falar para ela restaurar a Bíblia. Mas Irene prefere manter as páginas com as marcas de lama e com os danos provocados pela água. “É uma prova de que a fé existe.” Em julho de 1983, ela morava em uma casa, que hoje pertence a um dos cinco filhos, no bairro São Bernardo. A moradia fica a 400 metros do leito do rio, mas a força da água de 30 anos atrás chegou ao teto da residência.
Para tentar salvar alguns móveis e roupas, eles entravam na casa de bote, com uma vela presa a uma garrafa. “Não parecia algo real. Não parava de subir água. A gente estava anestesiado. Não entendia o que estava acontecendo.” Após longa estadia em casa de parentes, voltou para a residência em setembro. “Fomos arrumando o que podíamos.”
Heróis anônimos salvaram vidas
Ivan Andrukiu passou a noite que antecedeu o grande alerta em uma churrascaria com os colegas do Exército. No dia seguinte teria instruções sobre explosivos. Chegou às 5 horas no quartel e logo a programação caiu por terra. “O tenente recrutou todos para salvar as pessoas. Voltei para minha casa 15 dias depois. Mal dormi nesses dias. Não sei nadar, mas colocava um colete salva-vidas e ia”, conta Ivan, na época com 18 anos.
Foram duas semanas sob água. Ele foi um entre as centenas de bombeiros e militares que tentavam evitar o pior. Ivan entrava nas casas pelos telhados e também ajudava no transporte de alimentos e água potável. “Chegava em lugar que a água batia na cintura e em pouco tempo já estava perto do tórax.”
Noites mal dormidas
Outro soldado que atuou nos resgates foi o hoje comerciante Solimar Haiduk, de 48 anos. “Tirava famílias que estavam com as casas alagadas, fazia trouxas de roupas, documentos e o que se salvava de comida”, relata. Naqueles dias, ele dormiu apenas duas horas por noite. “Vimos casas desaparecerem, mas procuramos salvar vidas”, diz.
Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo / Irene Winter e a Bíblia impressa em 1925 na Alemanha e resgatada na casa alagada há três décadas: “Essa é uma prova de que a fé existeAmpliar imagem
Irene Winter e a Bíblia impressa em 1925 na Alemanha e resgatada na casa alagada há três décadas: “Essa é uma prova de que a fé existe"
Sem titubear, arrumou uma muda de roupa e seguiu para o lar de uma das irmãs. Só conseguiu voltar dois meses depois, quando o volume de água havia baixado e a residência, sido reformada. Durante 45 dias, 80% da cidade ficou debaixo da água. Porto União, município catarinense vizinho, teve 30% da área tomada pela enchente.
Água que não acabava
Historicamente, a média de chuva entre os meses de junho e julho na cidade situada ao Sul do Paraná é de 138 milímetros. Há 30 anos foi de 800 milímetros. “Choveu em um mês o que era previsto para seis meses”, relata o pesquisador Dago Woehl, presidente da ONG Comissão Regional de Prevenção contra Enchentes do Rio Iguaçu. A situação se agravou no dia 9, quando a altura das águas chegou a 8,92 metros. “Aumentou mais de três metros em dois dias”, diz Woehl.
A partir do dia 15, o rio atingiu a incrível marca de dez metros, tendo o ápice três dias depois, com 10,42. O rio só começou a recuar no dia 22 de julho, mas no final do mês a marca ainda era superior a 8,30 metros. A média normal do Iguaçu é de 2,5 metros.
Cenário desolador
Sem água potável, sem eletricidade e sem comida. A alimentação só chegava de helicóptero. Mais de 7,5 mil casas e prédios tomados pela enchente, com um total de 60.330 desabrigados – segundo dados da Defesa Civil. Lojas e mercados destruídos, 500 fábricas paralisadas. Um prejuízo estimado na época de US$ 52 milhões. A vazão da água, que geralmente é de 500 m³ por segundo, foi dez vezes superior.
Apesar dos números assustadores, os dados oficiais não indicam mortos. “As casas que ficaram salvas chegaram a abrigar 30 pessoas”, afirma Woehl. Os 90 abrigos coletivos não eram suficientes para alojar tantas vítimas.
Depois de 45 dias, com o Iguaçu perto do nível normal, o cenário era comparável ao de um pós-guerra. Sebastiana lembra que a cidade estava sem perspectivas. “Tinha um cheiro forte e ruim, casas destruídas, animais mortos. Foram de dois a três anos para a cidade se parecer ao que era antes.”
Após o trauma, prevenção virou palavra de ordem
Passados 30 anos da grande enchente, dificuldades persistem em União da Vitória e Porto União. Sempre que a chuva aperta, o Iguaçu sobe e não perdoa a casa dos ribeirinhos, como a de José Morais, de 54 anos. Se em 1983 teve de abandonar a casa por um mês no bairro São Cristovão. Hoje ele dribla as dificuldades com seu barco. Mudou-se para outra localidade, São Bernardo, mas a atual moradia fica a apenas 30 metros do leito do rio em dias normais. “Quando chove, não tem jeito. A água invade o terreno”, diz. Ele se preveniu e levantou a casa para evitar que a enchente entre. Na semana passada, não adiantou. A cidade foi atingida por fortes chuvas, que desabrigaram centenas de moradores e resultaram em prejuízos de R$ 21 milhões e no decreto de situação de emergência.
Para minimizar os problemas provocados pelas enchentes, as prefeituras de União da Vitória e Porto União adotam medidas de prevenção. Algumas já estão em prática. Como é o caso do monitoramento 24 horas, durante os 365 dias do ano, da altura do rio. Dessa forma, se há uma cheia se aproximando, as comportas da Usina Hidrelétrica de Foz do Areia – a 110 quilômetros – são abertas, controlando o volume de água.
Outras medidas
Recentemente foram retiradas 160 das 300 famílias que moravam em área de risco em União da Vitória. Até setembro de 2014 deve ficar pronto um parque linear na beira do Rio Iguaçu para evitar ocupações irregulares.
Voluntárias montaram cozinha comunitária para alimentar desabrigados
Sebastiana Duruek, 83 anos, e seu filho Joelcion, 48, lembram como se fosse hoje o desespero das pessoas para fugir da cheia do Rio Iguaçu, em União da Vitória. A dificuldade fez o filho, ela e mais 23 familiares dividirem a casa da irmã por dois meses. Merendeira de mão cheia, ela viu que poderia ser útil. Foi uma das cozinheiras das 35 cozinhas coletivas montadas em União da Vitória. Sebastiana se virava com o que vinha das doações que chegavam por helicóptero. “Comíamos polenta, arroz, feijão, charque, macarrão”, conta Joelcion, que não titubeou e ajudou a mãe.
Cozinhava, organizava a entrega dos alimentos e ainda retirava os bens das casas dos moradores da região. “A gente procurava se ajudar. A solidariedade aumentou muito nesse período”, relata. Como não havia muito espaço, a casa da irmã de Sebastiana transformou-se em cozinha comunitária. Atuando como voluntários, cozinhavam mais de 20 quilos de arroz por dia e alimentavam mais de 200 famílias diariamente. Essa saga durou até o rio abaixar. “Eu me sinto uma pessoa realizada, não medi esforços para ajudar os outros”, relata Sebastiana.

quinta-feira, julho 04, 2013

O nome é enduro paraequestre, mas pode chamar de terapia

Jonathan Campos/Gazeta do Povo / A cavalo: acometido por paralisia cerebral, Davi Lucas, é um dos membros da equipe paranaense de enduro paraequestre
A paixão pelas cavalgadas e a vontade de proporcionar lazer para pessoas com deficiência levou uma funcionária pública de Curitiba a criar uma modalidade esportiva. Claudiane Crisóstomo Pasquali, praticante de cavalgada desde a infância, trabalha há dois anos na difusão do enduro paraequestre, uma competição de hipismo destinada a paratletas. A ideia surgiu meio por acaso e se transformou em uma experiência que está sendo replicada em outros estados.
Equipe
“A gente sente o movimento das pernas como se fosse o nosso”
Aos 7 anos, Davi Lucas ainda precisava ficar de quatro para subir uma escada. O menino, acometido por paralisia cerebral, hoje é um dos integrantes da equipe paranaense de enduro paraequestre. Aos 11 anos, demonstrou grande evolução nos movimentos corporais desde que começou a fazer equoterapia. Também melhorou a sua autoestima e ganhou confiança para correr, brincar e interagir com outras crianças, segundo a mãe, a trabalhadora autônoma Claudia Omena. “Ele pensava que não tinha autonomia para fazer nada sozinho, e hoje participa de campeonatos e acumula premiações. Para nós, os pais, é uma honra vê-lo participando”, afirma.
Colega de equipe, Gabriel, 13 anos, tem uma história semelhante. Após cinco anos de terapia, demonstra melhoria no equilíbrio e venceu a timidez. Ao vê-los andar a cavalo, o desavisado jamais notaria que são crianças com dificuldades motoras. A coluna fica reta, as mãos apertam firme a rédea e as pernas permanecem rentes ao dorso do cavalo.
“É legal domar um animal bem maior que você, e aprender as manhas para que ele obedeça. A gente aprende a ter carinho por ele”, conta. “Quando o cavalo anda, a gente sente o movimento das pernas como se fosse o nosso”.
Cavalaria
PMs voluntários atendem comunidade em projeto gratuito
Há quase uma década, a Polícia Militar do Paraná mantém um projeto gratuito de equoterapia oferecido pelo Regimento de Polícia Montada Coronel Dulcídio. São cerca de 100 pessoas atendidas, entre a comunidade em geral e filhos de policiais militares. No quartel da cavalaria, no bairro Tarumã, em Curitiba, eles fazem uma sessão semanal de 30 minutos de terapia, ministrada por policiais voluntários.
“Tudo começou quando um colega de trabalho trouxe até nós uma criança com deficiência e começou a trabalhar com ela no cavalo. Além disso, ele era muito brincalhão e a gente percebia como isso fazia bem para o menino. Hoje somos em cinco voluntários, todos preparados para essa atividade”, ressalta o capitão Carlos Assad Mady, coordenador do projeto, que tem uma lista de espera de 350 pessoas. O objetivo agora é ampliar o atendimento à comunidade.
A equoterapia existe no Brasil desde os anos 70, e foi reconhecida como método terapêutico pelo Conselho Federal de Medicina em 1997. O balanço do passo do cavalo, de acordo com estudos, funciona como estímulo ao sistema nervoso central, aumentando o equilíbrio e estimulando o desenvolvimento motor.
Claudiane é praticante de enduro, uma prova de longa distância em que o conjunto (cavaleiro e cavalo) atravessa grandes distâncias, passando por matas, rios e pontes. De atleta, ela passou a organizadora a partir do interesse de um amigo que, após um acidente de moto que lhe tirou o movimento das pernas, passou a praticar a equoterapia – um método de estímulo muscular com a cavalgada. Ele gostaria de saber como participar de um enduro, já que, apesar da limitação física, montava relativamente bem.
“Seria impossível já de começo, quando o atleta precisa correr ao lado do animal, puxando-o pela rédea, e apresentá-lo aos juízes”, relembra Claudiane. Mas ela percebeu que as adaptações eram possíveis. Começou a contatar outros centros de equoterapia à procura de mais interessados.
Início
A primeira prova de enduro paraequestre ocorreu em dezembro de 2011, com a participação de 20 competidores, em sua maioria crianças e adolescentes. Foram feitas alterações na estrutura do local da prova, como a instalação de barras no banheiro, e nos equipamentos de competição, como a colocação de uma rampa para que os cavaleiros pudessem alcançar a sela. O percurso foi encurtado. De 60 a 80 quilômetros, dependendo da prova, passou para 2 a 4 quilômetros. Os competidores são acompanhados por um cavaleiro auxiliar, montado, ou um auxiliar lateral, que segue a pé.
“Uma criança ganhou um troféu e ao chegar em casa, tarde da noite, foi acordar os vizinhos para mostrar a conquista”, conta Claudiane. A aceitação entre os centros de equoterapia foi rápida, e novos interessados ligavam para saber quando seria o próximo evento. A novidade “vazou” para outros estados, levada pelos juízes que vieram ao Paraná para arbitrar a prova. Existe o registro de duas provas similares realizadas há cerca de uma década em Brasília, o mais importante centro de equoterapia do país, mas jamais havia sido feita uma competição nesses moldes.
A idealizadora passou a divulgar o enduro paraequestre junto a outras federações de hipismo. São Paulo já promoveu competições e Minas Gerais está a poucos meses de ter o seu primeiro evento. Enquanto isso, o Paraná já tem uma seleção estadual, composta por cinco atletas, que participou de uma prova em Bragança Paulista (SP) ao lado de competidores convencionais. Ficaram em 4.º lugar.

terça-feira, julho 02, 2013

A ABRACCE perdeu seu espaço

A ABRACCE atende 112 famílias carentes, que tenham na sua constelação familiar crianças com deficiência neurológica, síndromes e autismo de forma totalmente gratuita, nas especialidades de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, oficinas terapêuticas de música e arte terapia, grupos com os pais.
Em 2011 a Prefeitura Municipal de Curitiba nos cedeu em regime de comodato, depois de três anos de batalha um imóvel pra continuarmos e ampliarmos nossas atividades sem precisar pagar o aluguel altíssimo que pagamos hoje.
Na época, a assessoria da prefeitura, convenceu-nos, de que aquele barracão pertencia a um grupo de idosos que realizavam trabalhos recreativos por ali. Então nos prometeram construir uma sede, totalmente adaptada para os nossos pacientes no terreno ao lado, isso nunca aconteceu. Tentamos várias vezes pegar o imóvel novamente, mas sem sucesso, pois, por mais que o comodato estivesse em nosso nome, os idosos da ACMI (Associação Curitibana da Melhor Idade) não deixaram o imóvel, recorremos à prefeitura novamente que nada fez.
Ainda havia a possibilidade de tentarmos angariar recursos para construção da sede, pois tínhamos o comodato do terreno ao lado também. Eis que recebemos um Oficio do Município de Curitiba, ora representado pelo Senhor Superintendente da Secretaria Municipal de Administração, nos tirando o decreto, pois o Art. 7º deste decreto, dizia que não poderíamos ceder esse imóvel de forma alguma, mas fizemos o mesmo com autorização expressa dos então assessores do ex-prefeito Luciano Ducci, como houve uma mudança de gestão na prefeitura, preferiram pegar tudo novamente para o município de Curitiba, alegando que a Secretaria de Saúde teria interesse em utilizar o espaço. (Detalhe, a ABRACCE atende a demanda que a Secretária de Saúde deveria estar atendendo)
Mesmo nos tirando o Comodato a prefeitura ainda deixa os idosos usarem o imóvel, de forma irregular, pois este imóvel hoje é do Município. Hoje esse imóvel que fica na Rua Francisco Klemtz,289, Portão, é usado pelos idosos para fazer bailes e bingos, nos mesmos se vendem bebidas alcoólicas, ou seja, ao invés de ajudar 112 famílias carentes, este imóvel que é do povo está sendo usado para fins distorcidos, que não promovem a saúde do idoso. Notificamos a prefeitura, a mesma diz ter feito uma fiscalização, nós mesmos com nossos próprios olhos verificamos a venda e o consumo de bebidas alcóolicas a pedido da prefeitura,mas a prefeitura nada fez. No caso deste imóvel, parece que quem responde não é a prefeitura e sim a Vereadora Julieta Reis, pois todo contato cordial que tentamos fazer com os idosos o seu presidente José Barberini usou o nome da vereadora para justificar as ações da ACMI.
Qual trabalho tem mais relevância? A resposta é obvia né! Só esperamos não receber nenhuma represália por trazer isso a público, pois cansamos de sofrer calados, são cinco anos de batalha para simplesmente nos retirarem tudo, como se nosso trabalho não fosse de fundamental importância para saúde do nosso município.
Será que O GIGANTE realmente acordou?

Agressões fazem parte da triste rotina do professor brasileiro

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No início de 2012, enquanto dava uma de suas aulas no Colégio Estadual Santa Gema Galgani, em Curitiba, o professor de Matemática Francisco Gasparin Neto foi interrompido por um aluno do ensino médio que chegou atrasado. Como sempre faz nesse tipo de situação, Neto instruiu o aluno a sair, pedir licença e entrar novamente. O fim desse diálogo terminou na delegacia. O estudante, que tinha 18 anos, se revoltou com o pedido e deu início a uma série de ofensas, feitas em alta voz e tom intimidador. O caso passou pela direção e em seguida o professor registrou um boletim de ocorrência. Depois de uma audiência de conciliação, o estudante foi obrigado a pagar cestas básicas à comunidade local. Ele foi condenado por desacato a funcionário público no exercício da função.
Diálogo entre as partes é a melhor solução
A Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) optam pela cautela no que diz respeito às medidas que um professor vítima de agressão deve tomar. Segundo a assessoria da SME, a orientação dada aos docentes da rede municipal é de que toda situação de violência, seja entre estudantes ou envolvendo profissionais de ensino, deve ser resolvida dentro da própria escola, a partir do diálogo.
Como a maior parte das escolas da prefeitura atendem apenas crianças até o 5.º ano do ensino fundamental – apenas 11 escolas atendem alunos do 6.º ao 9.º ano – , o volume de ocorrências de agressão contra professores tende a ser menor. Mesmo assim, quando ocorrem, o procedimento padrão é resolver a situação com os responsáveis pela pedagogia e direção. Em alguns casos as famílias são chamadas e participam na escola da tomada de decisão sobre como o estudante pode se retratar diante de sua atitude.
De acordo com a Seed, as escolas estaduais também são instruídas a resolverem os problemas internamente, e a agirem preventivamente sempre que um profissional nota o risco de violência. Tanto em caso de agressões verbais (calúnia, difamação e injúria) quanto físicas, os pais do estudante agressor são convocados e se faz o registro do ocorrido no livro ata da escola. Quando ocorre uma agressão grave, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) pode ser acionado.
Nessas situações, o Conselho Tutelar recebe um ofício e comunica a autoridade policial para que se faça um boletim de ocorrência numa delegacia. No caso de Curitiba, que conta com estabelecimento específico, o boletim deve ser feito na Delegacia do Adolescente. Por fim, o caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude ou ao Ministério Público da região. A punição, em geral, são medidas sócioeducativas.
A atitude do professor Neto é uma raridade. Receber agressões verbais faz parte da rotina de muitos profissionais de educação. No entanto, confusos diante do que podem ou não fazer, a maior parte simplesmente tolera o desrespeito, ou transfere o problema à coordenação pedagógica, função que, em tese, não deveria se responsabilizar pela distribuição de broncas. “Muita coisa seria diferente se mudássemos nossa conduta, e passássemos a usar os artifícios legais contra toda a violência e desrespeito”, afirma Neto.
No mês de maio, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular e pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo mostrou que a cada dez professores daquele estado, pelo menos quatro já sofreram agressões físicas ou verbais por parte de alunos. O mesmo relatório mostra ainda que 42% dos docentes já viram alunos sob efeito de drogas, e 29% testemunharam tráfico dentro da escola.
Segundo a APP-Sindicato, não há dados sobre a frequência das agressões feitas por alunos contra professores no Paraná, mas são constantes e variadas as histórias de violência compartilhadas por profissionais com seus colegas. “Seria algo muito importante se o governo promovesse uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre esse tipo de ocorrência”, sugere a professora Janeslei Aparecida Albuquerque, se­cretária de formação política e sindical da APP.
Problema histórico
Para o doutor em educação e professor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Joe Garcia, é necessária uma análise mais ampla, que se refere à cultura de agressão nas escolas em geral. “Em nosso país é recente a proibição da violência física contra alunos, embora seja ainda muito presente a violência simbólica”, diz.
Para Garcia, em geral, as agressões surgem de uma mentalidade que vê a violência como um instrumento legítimo para resolver conflitos, lidar com as diferenças, expressar discordância ou mesmo responder à violência que vem do outro. “Os estudantes estão reproduzindo uma lógica social que tem sido alimentada no mundo há séculos”, diz, lembrando que, em nome da educação, métodos violentos foram usados para lidar com tudo aquilo que era julgado inapropriado ou intolerável.

segunda-feira, julho 01, 2013

Inscrições para disputar cargo de conselheiro do TC terminam hoje

Daniel Caslellano/ Gazeta do Povo / O Tribunal de Contas, que tem sete conselheiros, é responsável por aprovar os gastos do poder público estadual e municipal
A Assembleia Legislativa do Paraná fecha hoje, às 18 horas, as inscrições para a eleição do novo conselheiro do Tribunal de Contas (TC). Até agora, 17 candidatos já apresentaram seus nomes e serão avaliados por uma comissão antes da votação. Apesar do alto número de postulantes ao cargo, a disputa deve se resumir a dois nomes: os deputados Fabio Camargo (PTB) e Plauto Miró (DEM). Mas o número de “candidaturas de protesto” é uma clara demonstração de descontentamento da população com o modelo de nomeação dos conselheiros.
A situação, na realidade, não é uma novidade. Na eleição do conselheiro Ivan Bonilha, em 2011, foram 16 candidatos aprovados, mas apenas dois receberam votos – além de Bonilha, o deputado Augustinho Zucchi (PDT) também foi votado.
Os inscritos
Até o fim da tarde de sexta-feira, 17 pessoas haviam feito a inscrição na Assembleia Legislativa para concorrer ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
• Fabio Camargo – deputado estadual
• Plauto Miró – deputado estadual
• Prescila Alves Pereira Francioli – contadora
• Jorge Luiz Zuch – contador
• Maurício Bastos – professor
• Roberto Bohlen Seleme – engenheiro e professor
• Flávia Freire – policial civil
• Erli de Pádua Ribeiro – administradora e pedagoga
• Eduardo Kardush – professor
• Vorni Rogério Ferreira – advogado
• Jozelia Nogueira – Procuradora do Estado
• Amaury José Soares – advogado da União
• Edson Navarro Tasso – auditor do TCE
• Rubens Artur Hering – diretor administrativo do Coritiba F.C.
• Daniel Ferreira – advogado
• Sérgio Augusto Kalil – professor da UFPR
• Sérgio Luiz Libel – contador e representante comercial
Fonte: Assembleia Legislativa.
Um dos candidatos que “corre por fora” é o professor Eduardo Kardush. Ele diz ter colocado sua candidatura como uma forma de protesto e também de homenagem aos professores. “O conselheiro deveria ser uma pessoa sem ligação com grupos políticos”, afirma. Geralmente, o que acontece é o contrário: o próximo conselheiro ocupará a vaga de Hermas Brandão, que, antes de ser conselheiro, foi deputado estadual e tem um filho e um neto na atual legislatura.
Dos sete conselheiros do TC, cinco foram escolhas dos deputados – os outros dois foram nomeados pelo governador, a partir de listas tríplices enviadas por procuradores e auditores do órgão. Hoje, três desses escolhidos são ex-deputados: Durval Amaral, Nestor Baptista e Artagão de Mattos Leão – além de Brandão, que se aposentou no início de junho. O outro é Bonilha, que foi procurador-geral do governo Beto Richa (PSDB) e recebeu o apoio do governador.
Tudo indica que isso não deve mudar nas próximas eleições. O próprio presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), admitiu em entrevista à RPC TV que, apesar de o sistema não ser o ideal, é improvável que o próximo conselheiro do TC seja alguém além de Miró e Camargo – que, além de deputados, são de famílias tradicionais na política paranaense. “O corporativismo sempre prevalece nessas questões. Não é porque é político ou é técnico que seria diferente”, disse.
Critérios
De acordo com a Cons­­tituição do Paraná, qualquer cidadão está apto a se inscrever para a eleição de conselheiro. São exigidas as seguintes prerrogativas para a disputa: idade entre 35 e 65 anos, reputação ilibada, notórios conhecimentos jurídicos, contábeis ou de administração pública e dez anos em função ou profissão relacionada a essas áreas.
Uma comissão formada por cinco deputados será responsável por avaliar se os candidatos estão aptos ou não a disputar o cargo (ver mais abaixo). A expectativa é que a eleição ocorra entre os dias 15 e 17 de julho, na última semana antes do recesso parlamentar.
Colaborou Karlos Kohlbach
Comissão vai decidir se análise de candidaturas será pública
A comissão responsável por analisar o perfil dos candidatos a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado será instalada hoje na Assembleia Legislativa do Paraná. Os cinco deputados escolhidos para compô-la – Tadeu Veneri (PT), Caíto Quintana (PMDB), Élio Rusch (DEM), Francisco Bührer (PSDB) e Wilson Quinteiro (PSB) – terão de analisar a documentação providenciada pelos candidatos e realizar as sabatinas com cada um deles.
A dúvida que ainda paira no ar é sobre a publicidade que será dada aos trabalhos da comissão. O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), anunciou que essas sabatinas seriam públicas, entretanto, os deputados da comissão consultados pela reportagem disseram que isso terá de ser decidido hoje.
Para Tadeu Veneri, a decisão cabe à comissão. A informação foi repetida por Caíto Quintana e Élio Rusch. A reportagem procurou Rossoni e os deputados Francisco Bührer e Wilson Quinteiro, que também fazem parte do colegiado, mas não obteve retorno para as ligações.
Veneri acredita, entretanto, que a tendência é que os deputados decidam por uma sessão aberta, devido às polêmicas e aos protestos dos últimos dias. Ele defende que seja assim. “O que um candidato fala para nós deve ser dito para toda a sociedade. Esse processo não deve ficar restrito aos deputados, não é bom que elas sejam fechadas”, afirma. Quintana disse que “não vê problemas” em uma sessão pública. Já Rusch comentou apenas que isso será uma decisão do colegiado.
Apesar da tendência do voto corporativo na Assembleia, Rusch acredita que o sistema adotado pelo órgão é mais democrático do que a escolha dos demais membros. “Os outros candidatos são decididos pelos auditores e procuradores, e são de livre escolha do governador. A Assembleia é a única que abre as vagas para qualquer um que queira disputar”, afirma.
Novo formato
Já Veneri admite que é preciso repensar o formato das indicações. “Nas últimas votações, tivemos gente muito qualificada disputando a vaga, mas o que prevaleceu foi o critério político. É hora de repensar esse sistema”, afirma.