quarta-feira, agosto 07, 2013

Desafios e estratégias para a educação

A segunda edição do Salamundo termina nesta quarta-feira (7) com a presença de filósofos e especialistas em educação. Nesta terça, o evento contou com palestras de representantes importantes do setor, como o professor e filósofo Hugo Barreto, os pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora Tufi Machado Soares e Mariana Calife e o educador colombiano Bernardo Toro. Confira abaixo algumas das ideias defendidas nas conferências desta tarde.
Educação precisa de foco em matemática, português e ciências, diz Mercadante
A prioridade da educação tem de ser matemática, português e ciências, segundo o ministro de Educação, Aloizio Mercadante, que iniciou na manhã desta terça-feira (6) a programação do Salamundo 2013, encontro internacional de educação que ocorre em Curitiba. Para o ministro, cultura e esportes são importantes e ajudam a formação da criança, mas é preciso olhar com atenção as matérias prioritárias. “Não dá para colocar três horas a mais na escola para a criança ter apenas capoeira, aprender a fazer bolo ou se divertir. Precisamos de foco e este ano a Prova Brasil já inclui ciências ao lado de matemática e português”, lembrou.
Gestores trocam experiências
Embora a Educação exija reformas estruturais e de longo prazo, há ações de pequeno ou médio porte que podem contribuir para mudanças importantes em poucos anos. Esse foi o tema da mesa redonda que reuniu cinco gestores da Educação na última palestra do primeiro dia do Salamundo 2013.
A tevê como aliada da educação
A primeira palestra da tarde desta terça-feira (6) no Salamundo 2013 trouxe a experiência de 35 anos do Telecurso 2000, metodologia de ensino que usa a televisão no processo educacional. O palestrante foi o professor e filósofo Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, idealizadora do projeto. Durante sua fala, Barreto comentou que mais de 6 milhões de alunos se formaram pelo Telecurso.
Traçando um histórico do programa, Barreto comentou que o curso surgiu em um momento em que o Brasil contava com mais de 32,7 milhões de analfabetos e 6,5 milhões de pessoas fora da escola, ao mesmo tempo em que se iniciava a expansão da tevê via satélite. Além de evitar o ensino tradicional, focado apenas na fala do professor e dos livros, a metodologia do curso televisivo buscava trazer a realidade dos alunos para a sala de aula. Outra inovação do Telecurso, segundo Barreto, foi dividir o curso por áreas do conhecimento, não por disciplinas.

Para não perder alunos, ensino médio precisa se reinventar
A segunda palestra da tarde trouxe para o debate um dos maiores desafios da educação brasileira na atualidade: a reprovação e a evasão dos alunos no ensino médio. Os pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora Tufi Machado Soares e Mariana Calife apresentaram dados sobre os motivos da desistência – os principais, hoje, são o desinteresse dos alunos pelos temas trabalhados em sala e pela metodologia do professor e também a dificuldade para trabalhar e estudar ao mesmo tempo.
Durante a palestra, foi apresentado um vídeo com alunos de escolas mineiras que expressaram o que não gostam na sala de aula. Foi claro o desconforto com o currículo extremamente denso, aulas muito teóricas e professores desmotivados por conta dos baixos salários. Além desses desafios, os pesquisadores citaram também a questão da reprovação nos anos iniciais do ensino fundamental, o que gera uma distorção entre a idade do aluno e o ano cursado que faz com que muitos desistam de estudar.
Escola deve focar na aprendizagem, e não no ensino
Um dos palestrantes mais esperados do Salamundo 2013, o educador colombiano Bernardo Toro foi claro ao dizer quais são os segredos para uma educação de qualidade: o foco na aprendizagem, a importância de uma educação de qualidade para todos os cidadãos, sem distinção de classe, e a extrema importância de um bom ensino em leitura e escrita nos dois primeiros anos do ensino fundamental.
Para Toro, hoje, não só no Brasil, mas em toda a América Latina, há um foco demasiado no ensino, na sala de aula, em formatos fechados e copiados de outros países, o que não reflete a realidade do aluno. “A educação é um produto cultural, é algo inventado. E como tudo que é inventado, pode ser mudado se houver necessidade, se algo não estiver funcionando. Nós devemos nos perguntar se as crianças estão aprendendo o que queremos ensinar para elas”.
Também participaram das palestras na tarde desta terça-feira (6) no Salamundo 2013 o diretor da Saint Andrews School, na Flórida, Robert Bouressa e a vice-coordenadora do Centro de Instrumentação em Tecnologias Interativas, Roseli de Deus Lopes. Bouressa falou sobre o método da International Baccalaureate, aplicado em sua escola e que está presente em mais de 2 mil escolas de 30 países da América Latina. O sistema investe no ensino multilingue e multicultural, além de valorizar a redação, a elaboração de projetos, a colaboração entre colegas e a apresentação de trabalhos. Já Roseli falou sobre o papel da tecnologia e da formação pedagógica no cenário da educação no Brasil.
Programação
Confira alguns dos destaques da programação do Salamundo 2013 desta quarta-feira (7), em Curitiba:
• “Autoridade e disciplina”, transmissão dos vídeos gravados com André Comte-Sponville e Luc Ferry e comentados por Luca Rischbieter.
• “O peso e a importância dos fatores não cognitivos”, palestra com a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna.
• “Como lidar com o bullying”, palestra com a pesquisadora Luciene Tognetta.
• “O que faz uma boa escola?”, os professores Francisco Soares e James Ito-Adler apresentarão pesquisa exclusiva feita para o evento.

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