domingo, janeiro 22, 2012

Ato em defesa de animais reúne mil pessoas em Curitiba

Manifestantes se reuniram na Praça Tiradentes e caminharam até o Largo da Ordem pedindo punição efetiva para quem maltrata animais. Ato ocorre em outras 170 cidades

A reivindicação por uma punição mais efetiva para quem comete atos de crueldade contra animais reuniu cerca de mil pessoas na manhã deste domingo (22), em Curitiba. Elas participam da manifestação “Crueldade Nunca Mais!”, que ocorre em outras 170 cidades brasileiras. No Paraná, 18 cidades vão participar da mobilização, incluindo Maringá, Paranavaí, Cascavel, Londrina, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Matinhos.

A concentração dos manifestantes ocorreu na Praça Tiradentes, desde as 9 horas. A mobilização seguiu em passeata até o Largo da Ordem, onde ficaram nas Ruínas de São Francisco. No local, eles decidiram ampliar a manifestação e caminhar até o Centro Cívico. O grupo passou por ruas do bairro São Francisco, como a Jaime Reis e Paula Gomes, até chegar à Praça 19 de Dezembro. A passeata terminou ao lado da prefeitura, nas proximidades da Praça Nossa Senhora de Salete, onde o grupo se dispersou.

Segundo a engenheira agrônoma Yanê Carvalho, que é ativista na causa da proteção aos animais e participa do Fórum de Defesa dos Direitos dos Animais de Curitiba, o objetivo principal do ato é promover a reflexão sobre a causa. “Essa manifestação é o início de um novo olhar entre a relação de homens e animais, para que os bichos sejam vistos com mais respeito”.

A engenheira, que também participa da organização do evento, conta que a ideia da manifestação começou com um grupo de defensores dos animais de São Paulo e rapidamente se expandiu, contando com a ajuda das redes sociais. “Estamos batendo um recorde de participação. É um milagre, nunca tivemos tanta adesão”, comemorou.

Entre as participantes está a médica veterinária Andréa Barros. Para ela, além do fim da impunidade, é importante que as pessoas se conscientizem desta causa. “A quantidade de pessoas que está aqui mostra que elas estão se sensibilizando”, afirma.

Superpopulação de animais

O publicitário Luiz Roberto Gutierrez Monteiro chama a atenção para o fato de que os maus-tratos contra animais não são apenas os que geram problemas físicos. “Isso começa com o abandono, que gera um problema muito sério, que é o aumento da população dos animais”.

Para evitar a superpopulação de animais e o consequente abandono, as amigas e defensoras dos animais Helena Lemos Coelho, Diva Marcengo e Marli da Silva Conforto sugerem uma medida simples: a castração.

Elas, que participam de organizações não governamentais e defendem a causa animal há cerca de 15 anos, também chamam a atenção para outro ponto: em Curitiba, não são apenas cachorros e gatos que sofrem com a violência, mas há um problema grave com os cavalos, que são forçados a trabalhar em condições extenuantes e dificilmente são socorridos adequadamente.

Ajuda

As pessoas que não participam de organizações também podem ajudar os animais com pequenos gestos. A designer Rosângela de Oliveira Ferreira costuma recolher cachorros abandonados e encaminhar para a adoção. Ela, que estava na manifestação acompanhada da família, diz que a crueldade precisa acabar. “A penalidade para quem maltrata os animais é muito baixa e, como eles não têm voz, viemos aqui para protestar”, conta.

Mesmo descrente em relação à criação de leis mais severas, a fotógrafa Luciana Parralego é ativa na questão da proteção aos animais. “Eu ando com ração e água no carro para dar para os bichinhos, porque não aguento vê-los sofrendo”, conta. Ela diz que costuma denunciar casos de agressão, mas reclama da pouca atenção dada pelas autoridades ao assunto.

Maus-tratos

A polícia constatou, no ano passado, 200 casos de maus tratos a animais em Curitiba e região metropolitana. Segundo informações da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), em 90% dos casos, as vítimas são cães. Os outros 10% se referem a outros animais, principalmente a cavalos usados por carroceiros.

Em todo o ano de 2011, a DPMA registrou 313 boletins de ocorrências, mas, segundo o superintendente da delegacia, Ivan José de Souza, um terço dos casos não foi constatado pelos investigadores. De cada dez ocorrências em que os maus tratos são comprovados, em nove a denúncia partiu de cidadãos comuns. Os outros 10% dos casos são apresentados à polícia pela Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (Spac).

" FONTE" GAZETA DO POVO

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